COMPROMISSO REAFIRMADO
Garantir a oportunidade de ensino a todos, independentemente de idade, sexo ou condição social, tem sido o compromisso do Governo Municipal com a educação. E isso ficou mais uma vez evidente no último final de semana, por ocasião da formatura de 147 alunos da sétima turma do Centro de Ensino Personalizado para Educação de Jovens e Adultos (Cepeja), uma megacomemoração realizada na Igreja Batista Missionária.
O evento contou com a presença de professores, amigos e familiares dos formandos e vinha sendo um dos momentos mais aguardados da vida dos alunos, visto que coroou meses de empenho e dedicação. “A batalha não foi fácil”, destaca o formando Pedro Uilton Fernandes, de 64 anos. “Receber meu certificado é uma vitória”, comemora o idoso, que não frequentava a escola desde a década de 1960, quando parou de estudar aos 12 anos.
“Fiquei mais de 50 anos sem estudar. Daí, procurei o Cepeja, meio receoso”, relata, contando que ainda assim não desistiu. “Ao perguntar a um professor do centro se eu podia me matricular, ele me respondeu com um sorriso imenso: ‘Terei o maior prazer em assinar o seu diploma, seu Pedro’. Descobri que ali era meu lugar e, com muita força de vontade, cheguei a minha formatura. Parece um sonho”, emociona-se o idoso.
MEMÓRIAS
Seu Pedro é um exemplo de força e superação. Sua história representa a medalha de vitória num Brasil que, ao longo de mais de cinco décadas, deixou de ser rural para tornar-se urbano e, além disso, passou a ser muito mais escolarizado. No ano em que o idoso deixou de estudar, o município de Parauapebas sequer sonhava em existir, Brasília tornava-se capital do país e o Brasil patinava com uma educação em que quatro, de cada dez pessoas nas cidades, eram analfabetas. Nos anos de 1960, o formando nem sonhava em ter TV em casa, mas sabia dos perigos do regime militar.
Hoje, o diploma de Pedro Uilton é um incentivo a mais para muitos jovens e adultos que enveredam pelos caminhos da educação, num Brasil que atualmente, no campo ou na cidade, possui nove alfabetizados em cada grupo de dez pessoas.
Como cidadão parauapebense, o idoso é privilegiado de estar numa estatística em que 92% da população sabe ler e escrever, uma das taxas mais altas de toda a Região Norte. E ainda que seu Pedro morasse hoje na zona rural, como quando tinha 12 anos, ele já seria um entre oito alfabetizados, a cada dez cidadãos, residentes no campo em Parauapebas.
“A compreensão e a atenção dos professores do Cepeja foram fundamentais na concretização desta conquista”, reconhece o formando de 64 anos.
A coordenadora do Departamento de Educação de Jovens e Adultos (Deja), da Semed, Juscineide Almeida, era só emoção. “Todas as vezes em que vejo um grupo de alunos concluindo uma etapa, eu me emociono. É muito difícil conciliar trabalho e estudo. Por isso, aqueles que o fazem são vitoriosos”, ressalta. Juscineide destaca que a educação não faz crescer apenas como cidadão, mas também como ser humano.
Para a paraninfa da turma, Terezinha de Jesus, aprender é o que justifica e explica a condição humana. E o estudo, segundo ela, reafirma tal condição. “Hoje é um dia de celebração, para a sociedade e para a educação. Educação esta que permite ao educando conhecer e lutar por seus direitos e garante à sociedade cidadãos críticos e conscientes de seus deveres”.
O CEPEJA
Em cinco anos de existência, o Cepeja já formou 2.048 alunos, número que mostra a grandiosidade do programa e reflete o compromisso da gestão municipal com a educação de Parauapebas. O centro alfabetizou mais pessoas do que o número de cidadãos do município que apareceram analfabetos (1.848) em dez anos, entre 2000 e 2010, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
“Os alunos que colaram grau fazem parte da sétima turma do Cepeja e são exemplos que devem ser seguidos”, elogia o diretor do centro, Rui Amorim, segundo quem a maioria dos alunos do Cepeja é oriunda de outros programas de alfabetização promovidos pelo Governo Municipal, os quais formam todos os anos centenas de pessoas.
O Cepeja atende alunos a partir dos 17 anos que não podem frequentar aulas regulares e desenvolve o ensino personalizado semipresencial de 5ª a 8ª série. O centro adota filosofia pautada no compromisso político de atender aos anseios educacionais da população. “Para muitos, estudar é ainda algo muito difícil. Distância e falta de tempo são alguns dos empecilhos que atrapalham a continuação da busca pelo conhecimento. Parte daí a preocupação do Governo Municipal de oferecer programas que facilitem a conclusão do ensino”, resume o secretário municipal de Educação, Raimundo Oliveira Neto.
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